Inteligência Artificial: profissões de maior escolaridade e renda na mira
Um estudo recente realizado pelo PRISMA, observatório de negócios da ESPM, revela um panorama detalhado sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no mercado de trabalho brasileiro. Utilizando o índice internacional AI Occupational Exposure (AIOE), a pesquisa cruzou dados da PNAD Contínua do IBGE para quantificar a exposição de mais de 90 milhões de trabalhadores em 410 ocupações. O levantamento aponta que profissionais com maior nível de escolaridade e renda estão concentrados nos grupos mais expostos à automação impulsionada pela IA.
A metodologia aplicada permite análises comparativas entre setores e estados, além de avaliações por perfil socioeconômico e categoria profissional. Essa abordagem abrangente, conforme explicado pelo coordenador do PRISMA, Jorge Ferreira dos Santos Filho, oferece uma base sólida para a formulação de políticas públicas, decisões empresariais e estratégias educacionais. “Mapear quem está mais exposto à IA significa mapear como o país deve se preparar”, destacou ele.
O que é o índice AIOE e como ele funciona?
O AI Occupational Exposure (AIOE) é um indicador que mede o grau em que as tarefas típicas de cada ocupação são suscetíveis à Inteligência Artificial. Ao ser aplicado aos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, o índice permite uma quantificação precisa da exposição à IA em diversas profissões atuantes no Brasil. Essa análise possibilita estudos históricos e projeções futuras sobre a força de trabalho.
Profissões de alta qualificação no centro das transformações
O estudo da ESPM identifica que ocupações consideradas altamente cognitivas estão entre as mais sensíveis à automação via IA. A coordenadora do curso de Administração da ESPM-SP, Erika Buzo Martins, ressalta a natureza transformadora da tecnologia: “A inteligência artificial não é apenas uma tendência tecnológica; ela já está reorganizando o mercado de trabalho brasileiro”. Ela enfatiza a importância da preparação para um ambiente profissional onde a análise crítica, a criatividade e a adaptabilidade se tornam cada vez mais cruciais.
Grupos com índice AIOE significativamente acima da média nacional (acima de 113) incluem:
- Matemáticos
- Contadores
- Economistas
- Juízes
- Dirigentes financeiros
- Publicitários
- Professores universitários
Atividades que envolvem administração, análise e processamento de informações também figuram entre as mais impactadas pelas capacidades de Machine Learning e processamento de dados que as Redes Neurais e LLMs oferecem.
Trabalhos manuais e contextuais em menor risco
Em contraste, funções predominantemente manuais e que exigem um alto grau de contextualização e interação física apresentam índices de exposição à IA consideravelmente menores. O levantamento aponta que ocupações como pedreiros, trabalhadores da construção civil, agricultores, lavradores manuais e bailarinos registram índices de AIOE entre 73 e 85, indicando menor suscetibilidade à automação direta por sistemas de IA.
Implicações e o futuro do trabalho
O relatório do PRISMA oferece um diagnóstico essencial para que governos, empresas e instituições educacionais possam desenhar políticas de formação e requalificação profissional. O objetivo é mitigar o aumento das desigualdades e ampliar as oportunidades em um cenário de contínua evolução tecnológica. A capacidade de inferência rápida da IA e sua crescente aplicação em tarefas analíticas e de decisão exigirão novas competências e adaptação contínua dos trabalhadores.
